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[Fortaleza] Visitas da Jornada de Áreas Verdes


Como primeiro momento da Jornada em defesa das Áreas Verdes de Fortaleza, grupo visitou 7 pontos da cidade no último sábado, dia 27/10.

Mapa do roteiro
Mapa do roteiro

Conhecer o Pólo
Conhecer o Pólo

Ponte do Bom Jardim
Ponte do Bom Jardim

Conhecer o
Conhecer o “pulmão do Siqueira”

Faixas do Proparque de Itaperaoba
Faixas do Proparque de Itaperaoba

Lagoa de Itaperaoba
Lagoa de Itaperaoba

Enclave de cerrado
Enclave de cerrado

Entrada da fazenda Colosso
Entrada da fazenda Colosso

Açude da fazenda Colosso
Açude da fazenda Colosso

Mangue da Água Fria, fim das construções
Mangue da Água Fria, fim das construções

Aspecto do riacho das Lavadeiras em praça
Aspecto do riacho das Lavadeiras em praça

Construção da torre empresarial
Construção da torre empresarial

Prédio da construtora Marte quase concludo
Prédio da construtora Marte quase concluído

Quem vence? Acho que o planeta poderia receber uma ajuda.
Quem vence? Acho que o planeta poderia receber uma ajuda.

Foto com os participantes
Foto com os participantes

No último sábado, 27/10, um grupo de pessoas ocupou praticamente todos os assentos de um ônibus para visitar algumas áreas verdes da cidade. Todas elas correm o risco da exploração inconseqüente da especulação imobiliária. Às 8h45, os convidados ? participantes de movimentos, de fóruns ou independentes – deixaram o estacionamento da Rádio Universitária, no bairro Benfica, e seguiram no ônibus para as 7 paradas do roteiro, organizadas como 1ª etapa da Jornada em defesa das Áreas Verdes de Fortaleza, uma iniciativa de institutos em parceria com movimentos ambientais. Elas são, em sua maioria, experiências de mobilização social fortalecidas em torno do ambiental, mas que se tornam mais amplas e sempre ativas.

> 1ª parada: Pólo da av. Sargento Hermínio
Um parque foi criado por decreto em 1976, resguardando a nascente e o riacho Alagadiço e o açude João Lopes. No começo dos anos 80, foi transformado em pólo de lazer e tem recebido mais infra-estrutura desde então, com os caminhos pavimentados, uma pista de skate e uma quadra, que, com um muro, bloqueou visualmente o lado do parque que tem um chafariz, quem usufrui do pólo tinha reclamações de iluminação e segurança.
O problema maior aconteceu em maio deste ano, quando a Prefeitura divulgou um projeto de requalificação do pólo com a construção de ginásio coberto e um anfiteatro, o que pedia a derrubada de muitas árvores. O projeto não dialoga com as demandas locais, e para >mudar isso surgiu o Movimento pela Revitalização do Pólo de Lazer. Em 25 de maio, lançaram uma consulta popular para colher sugestões do que era mais necessário na revitalização para os usuários. A partir do resultado, elaboraram um relatório que indica também outros espaços próximos que poderiam receber o ginásio e o anfiteatro.
O projeto da prefeitura também prevê a destruição da pista de bicicross ? criada pelos praticantes e a comunidade ? para construir outra bem próxima, além dos prédios que prevê poderem fazer um grande espaço escondido de manhã e de noite. A única área verde protegida da região diminuiu consideravelmente desde 1979 e mobilizou bastante os moradores, que têm reuniões que já resultaram em manifestações, a elaboração da consulta popular, elaboração de relatório e atuação junto aos órgãos públicos. O movimento se fortaleceu para combater as mais recentes apropriações privadas ? algumas autorizadas pela prefeitura -, com desmatamento e construções.
O grupo foi bem recebido com café-da-manhã, uma explanação de integrantes sobre o movimento, leitura de poesia, distribuição do jornalzinho do Pólo e em seguida um passeio para conhecer a área. O movimento é bastante articulado na comunidade, com presença ativa no sítio do bairro, sendo capaz de mobilizar bastante gente, o que fortalece a defesa do Parque Rachel de Queiroz, que reuniria todas as áreas verdes do lado oeste. Durante o tempo no microfone, foi divulgada a Frente Popular Ecológica como a proposta de articulação dos movimentos sócio-ambientais.

> 2ª parada: Ponte do Maranguapinho
Em seguida, rumo ao bairro Bom Jardim, onde o ônibus parou junto à ponte do rio Maranguapinho, também conhecida como ponte do Bom Jardim. A poluição da água e das margens do rio é crítica, e embora a ponte seja alta, sempre no período de chuva o rio transborda por conta da acumulação do lixo; a água suja fica exposta a todos.
Foi uma parada de observação apenas, para se ter uma idéia de situações críticas que não conseguiram mobilizar pessoas. O ponto transformador é exatamente a população do entorno se interessar pela luta ambiental a partir da consciência dos desdobramentos sociais da situação.

> 3ª parada: Siqueira
Visitamos o que a população de três áreas habitacionais próximas chama de ?pulmão verde do Siqueira?. É uma área de preservação de 2,5 hectares que desejam transformar em parque, e para viabilizarem isso entraram firmaram parceria com o Instituto Brasil Verde, que é o idealizador da Jornada.
A associação de moradores quer um calçadão para caminhada e a plena preservação da mata, e na visita foi colocada a necessidade de se fazer um inventário ambiental para a transformação da área em parque. Para estimular a conscientização dos outros moradores do grande entorno, o grupo já organizou atos, um abraço e discussões, além de terem um cordel contando as histórias do local. É um foco de atividades da luta sócio-ambiental.

> 4ª parada: Lagoa de Itaperaoba
Quem passa na avenida Dedé Brasil nas imediações do campus do Itaperi da UECE não consegue não ver as faixas e/ou as pinturas do muro. Elas falam de uma lagoa tomada ilegalmente, de um governo municipal ineficaz e ? principalmente ? é visível a existência de uma comunidade mobilizada.
Trata-se do movimento Proparque Lagoa de Itaperaoba, que atua desde 1996, quando se deu a primeira tomada ilegal de parte da lagoa, a que responderam com a realização de uma audiência pública, atos e a confecção de faixas na avenida para despertar a consciência dos moradores e dos que passam próximo.
O grupo em visita foi recebido com lanche e seguiu de um espaço próximo à esquina, onde começam os cercamentos da lagoa, até um outro lado dela de onde se podia ver casas e um clube construídos. Hoje são seis apropriações privadas ilegais na única restante das quatro lagoas que existiam na Serrinha. A área da lagoa fora decretada de uso público, e nisso o movimento se apoiou, mas apesar dos esforços e da entrega de documentos atestando a ilegalidade das obras, a prefeitura nada fez. O último caso foi a construção de um posto de combustível de frente a outro da avenida Dedé Brasil e a menos de 50 metros da margem da lagoa, o que a torna ilegal.

> 5ª parada: Enclave de cerrado
O ônibus passou então por um ecossistema bastante peculiar na variedade que Fortaleza apresenta. Peculiar também à região nordeste, ficando mais na Bahia e no Piauí, e por isso o destaque desse terreno, pertencente ao Ministério do Exército e aos Correios. Pessoas, movimentos e institutos já propuseram a criação de um parque ecológico no terreno, para a preservação desse enclave de cerrado. O receio é de que a especulação imobiliária atue em pouco tempo e destrua o enclave. Até o momento, as informações ainda indicam desinteresse por parte dos Correios em mecanismos de legais de proteção da área.

> 6ª parada: Parque Água Fria
Adentrando no lado leste de Fortaleza, ?o queridinho da especulação imobiliária?, o grupo viu o avanço da infra-estrutura, que facilita as construções. Abre espaço e valoriza os grandes terrenos em preparação para condomínios residenciais, como o projeto fazenda Colosso, do grupo Edson Queiroz. A fazenda monopoliza um grande açude e é vigiada constantemente. Mais para dentro, em direção à Sabiaguaba, as imediações do restaurante Zé do Mangue são o limite natural das construções, como uma área verde preferível de ser mantida, exatamente por seu caráter valorativo às obras ao redor. Futuramente, com a tendência de especulação imobiliária, será o novo local de disputa de vista, além da avenida Beira-mar e o entorno do parque do Cocó, com seus arranha-céus.
O mangue que se apresenta na frente do restaurante ainda é preservado, mas a partir do momento que entrar na mira dos especuladores, a ameaça será real, do jeito que se dá nas dunas, na Sabiaguaba e no Cocó. O Movimento dos Conselhos Populares é bastante ativo no local.

> 7ª parada: Parque do Cocó
No caminho para a última visita, o riacho das Lavadeiras, na avenida Washington Soares, fez o ônibus parar para discussões e fotos. No meio do ano, um dossiê sobre o riacho foi divulgado, embora não tenha conseguido evitar seu encaixotamento. Uma vez modificado o curso, é complicada a tentativa de fazê-lo voltar ao que era, mas o caso está em processo de multa.
Mais na frente, na avenida Engenheiro Santana Junior, carros em engarrafamento assistem à construção de um prédio no Iguatemi, bem ao lado das árvores do parque. Era sábado de manhã e a situação era visível. Como será a situação daqui a um tempo? O escoamento é fácil? Não dá para construir novas vias. Pela primeira vez, membros dos movimentos ambientais puderam ver como estão as obras da torre empresarial que mobilizou muitos contra ela.
Finalizando o percurso, na esquina das avenidas Engenheiro Santana Junior com Padre Antônio Tomás, o movimento SOS Cocó realizava manifestação com faixas e uma apresentação lúdica para os carros no semáforo, em que uma pessoa vestida de prédio ataca uma outra que segura o planeta. Assim o grupo foi recebido.
O SOS atua com mais força em 2007 desde abril, tendo realizado manifestações, puxado audiências e um veto popular às obras ao redor do Parque do Cocó. A especulação imobiliária é a grande vilã também dessa área, que é comida pelos lados para a construção de torres. Além da torre empresarial do Iguatemi, há 2 prédios já construídos e três em conclusão da construtora Marte que são colados com o parque.
Após o passeio rico em relato de experiência e informações, todos de volta no ônibus para o retorno ao ponto de partida.

[ Jornada em defesa das Áreas Verdes de Fortaleza ]
– 2º momento: Seminário ?Questões sócio-ecológicas e jurídicas?, dia 19/11, das 14 às 18 horas no auditório da Reitoria da UFC.
– 3º momento: Audiência pública sobre as áreas verdes de Fortaleza, no dia 03/12, às 9 horas na Câmara Municipal.

 


http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/11/400965.shtml

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