boletim

o meio é a massagem

O sinistro monopólio da distribuição de revistas

Basicamente só existiam duas formas de uma revista chegar às bancas
brasileiras. Ela era distribuída pela Distribuidora Nacional de Publicações (DINAP), do Grupo Abril, que detinha 70% do mercado, ou pela Fernando Chinaglia, que possuía os outros 30%. Desde o dia 11 de outubro, porém, essa revista passou a ter uma única opção: ser distribuída pela Treelog, empresa resultante da compra da Fernando Chinaglia pela DINAP.

Ou seja, todo o mercado de distribuição de revistas no Brasil, doravante
passa a estar sob controle de um único grupo empresarial, a Abril.

Vale lembrar, ainda, que a Abril vendeu, em 2006, 30% do seu capital para o grupo sul-africano Naspers, que foi um dos sustentáculos da política de apartheid (quando se chamava “De Nasionale Pers”) e que teve em sua diretoria os ex-presidentes do regime racista H.F. Verwoerd e P.W. Botha. Agora, o Naspers passa a ter uma significativa participação na única empresa capaz de distribuir revistas nas bancas brasileiras.

A fusão acarreta dois problemas óbvios.

O primeiro é interno ao mercado atual de revistas e diz respeito ao grau de isenção que a Abril terá para distribuir revistas que são concorrentes das suas próprias publicações. A nascente Treelog distribuirá, por exemplo, a Veja (do Grupo Abril) e suas concorrentes diretas, Época e IstoÉ. Caberá ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) dizer se uma concentração de 100% é aceitável.

O segundo problema é ainda mais grave. O Grupo Abril é famoso por suas posições conservadoras, expressas no semanário Veja. Seu sócio estrangeiro tem origens em um regime de segregação racial. Como estes dois grupos se portarão diante do fato de que eles serão, a partir de agora, o único canal de distribuição disponível para publicações como Caros Amigos, Carta Capital, Le Monde Diplomatique e Brasil de Fato, por exemplo? Com a mão no gargalo, a Treelog terá a possibilidade de definir a sobrevivência, ou não, destas publicações.

E todo esse poder estará nas mãos da família Civita e dos afrikaners do
Naspers. Como diz a garotada… sinistro!

29.10.2007 – Coluna de Gustavo Gindre, no Fazendo Media

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