boletim

o meio é a massagem

Arquivo para maio, 2008

ato pelos 60 anos da nakba palestina

Diga não você também Vagner, diga não às drogas!!!

Como é de conhecimento de muitos da comunidade de Software Livre do Brasil,
o governandor da Bahia , Jaques Wagner, assinou um protocolo de intenções
com a Microsoft. De acordo com o Diario Oficial, esse protocolo visa a
fomentação de cursos de inglês do programa “English for all” e também a instalação de
telecentros com licenças que poderiam ser doadas ou vendidas por “baixo”
custo.

Atentem para o fato do protocolo não ter sido divulgado em momento algum e
que não foi dado nenhum detalhe de como esses projetos irão ser implantados.

Uma coisa é fato, o dinheiro publico será usado para implantar algo que já
existe no estado. O projeto Berimbau Livre que customizou a distribuição
Debian BR CDD (Atual BrDesktop) para que então tivessem como resultado
o Berimbau Linux que é utilizado amplamente nos telecentros de inúmeros
municipios da Bahia.

A comunidade de Software Livre da Bahia está se manifestando contra a esse
tipo de ação e irá cobrar respostas do nosso governador sobre o acontecido.

Nesse link está sendo tratado as informações sobre a reação do PSL-BA contra
esse ato. E foi lançado a campanha “Vagner, diga não às drogas!” para que
sirva de alerta para o nosso governador não afunde anos de trabalho dos
projetos de Software Livre da Bahia criando uma dependência desnecessária
na nossa infraestrutura.

Ao pessoal da comunidade Software Livre de todo Brasil eu solicito ajuda
para que essa campanha seja divulgada nacionalmente.

http://twiki.dcc.ufba.br/bin/view/PSL/WagnerDigaNaoAsDrogas

Diga não você também Vagner, diga não às drogas!!!

Vagner, diga não às drogas!

Colaboração: Rafael Gomes

A natureza não é muda

Nada há de estranho, nem de anormal, o projeto que quer incorporar os
direitos da natureza à nova Constituição do Equador

O mundo pinta naturezas mortas, sucumbem os bosques naturais, derretem os pólos, o
ar torna-se irrespirável e a água imprestável, plastificam-se as flores e a comida,
e o céu e a terra ficam completamente loucos.

E, enquanto tudo isto acontece, um país latino-americano, o Equador, está
discutindo uma nova Constituição. E nessa Constituição abre-se a possibilidade de
reconhecer, pela primeira vez na história universal, os direitos da natureza.

A natureza tem muito a dizer, e já vai sendo hora de que nós, seus filhos, paremos
de nos fingir de surdos. E talvez até Deus escute o chamado que soa saindo deste
país andino, e acrescente o décimo primeiro mandamento, que ele esqueceu nas
instruções que nos deu lá do monte Sinai: “Amarás a natureza, da qual fazes parte”.

Um objeto que quer ser sujeito
Durante milhares de anos, quase todo o mundo teve direito de não ter direitos.

Nos fatos, não são poucos os que continuam sem direitos, mas pelo menos se
reconhece, agora, o direito a tê-los; e isso é bastante mais do que um gesto de
caridade dos senhores do mundo para consolo dos seus servos.

E a natureza? De certo modo, pode-se dizer que os direitos humanos abrangem a
natureza, porque ela não é um cartão postal para ser olhado desde fora; mas bem
sabe a natureza que até as melhores leis humanas tratam-na como objeto de
propriedade, e nunca como sujeito de direito.

Reduzida a uma mera fonte de recursos naturais e bons negócios, ela pode ser
legalmente maltratada, e até exterminada, sem que suas queixas sejam escutadas e
sem que as normas jurídicas impeçam a impunidade dos criminosos. No máximo, no
melhor dos casos, são as vítimas humanas que podem exigir uma indenização mais ou
menos simbólica, e isso sempre depois que o mal já foi feito, mas as leis não
evitam nem detêm os atentados contra a terra, a água ou o ar.

Parece estranho, não é? Isto de que a natureza tenha direitos… Uma loucura. Como
se a natureza fosse pessoa! Em compensação, parece muito normal que as grandes
empresas dos Estados Unidos desfrutem de direitos humanos. Em 1886, a Suprema Corte
dos Estados Unidos, modelo da justiça universal, estendeu os direitos humanos às
corporações privadas. A lei reconheceu para elas os mesmos direitos das pessoas:
direito à vida, à livre expressão, à privacidade e a todo o resto, como se as
empresas respirassem. Mais de 120 anos já se passaram e assim continua sendo.
Ninguém fica estranhado com isso.

Gritos e sussurros
Nada há de estranho, nem de anormal, o projeto que quer incorporar os direitos da
natureza à nova Constituição do Equador.

Este país sofreu numerosas devastações ao longo da sua história. Para citar apenas
um exemplo, durante mais de um quarto de século, até 1992, a empresa petroleira
Texaco vomitou impunemente 18 bilhões de galões de veneno sobre terras, rios e
pessoas. Uma vez cumprida esta obra de beneficência na Amazônia equatoriana, a
empresa nascida no Texas celebrou seu casamento com a Standard Oil. Nessa época, a
Standard Oil, de Rockefeller, havia passado a se chamar Chevron e era dirigida por
Condoleezza Rice. Depois, um oleoduto transportou Condoleezza até a Casa Branca,
enquanto a família Chevron-Texaco continuava contaminando o mundo.

Mas as feridas abertas no corpo do Equador pela Texaco e outras empresas não são a
única fonte de inspiração desta grande novidade jurídica que se tenta levar
adiante. Além disso, e não é o menos importante, a reivindicação da natureza faz
parte de um processo de recuperação das mais antigas tradições do Equador e de toda
a América. Visa a que o Estado reconheça e garanta o direito de manter e regenerar
os ciclos vitais naturais, e não é por acaso que a Assembléia Constituinte começou
por identificar seus objetivos de renascimento nacional com o ideal de vida do
sumak kausai. Isso significa, em língua quechua, vida harmoniosa: harmonia entre
nós e harmonia com a natureza, que nos gera, nos alimenta e nos abriga e que tem
vida própria, e valores próprios, para além de nós.

Essas tradições continuam miraculosamente vivas, apesar da pesada herança do
racismo, que no Equador, como em toda a América, continua mutilando a realidade e a
memória. E não são patrimônio apenas da sua numerosa população indígena, que soube
perpetuá-las ao longo de cinco séculos de proibição e desprezo. Pertencem a todo o
país, e ao mundo inteiro, estas vozes do passado que ajudam a adivinhar outro
futuro possível.

Desde que a espada e a cruz desembarcaram em terras americanas, a conquista
européia castigou a adoração da natureza, que era pecado de idolatria, com penas de
açoite, forca ou fogo. A comunhão entre a natureza e o povo, costume pagão, foi
abolida em nome de Deus e depois em nome da civilização. Em toda a América, e no
mundo, continuamos pagando as conseqüências desse divorcio obrigatório.

Eduardo Galeano é escritor uruguaio, autor de “A Escola do Mundo ao Avesso”

Publicado originalmente no semanário Brecha, do Uruguai.

jpereira / Contribuidores: Eduardo Galeano

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/a-natureza-nao-e-muda