boletim

o meio é a massagem

Via Campesina e urbanos realizam mobilização no Walmart e Carrefour no ES

Cerca de 300 integrantes da Via Campesina e de movimentos urbanos, como a
Intersindical, Coordenação dos Movimentos Sociais, Passe Livre e movimento
estudantil realizaram uma mobilização, na tarde de hoje (10/06), em frente
às redes estrangeiras de supermercado, Walmart e Carrefour. A atividade
ocorreu na capital do estado, Vitória, e faz parte da Jornada de Lutas da
Via Campesina.

A atividade iniciou-se com uma caminhada pela cidade, acompanhada de um
panelaço, e foi marcada por um protesto em frente a essas duas redes de
supermercado, que detêm o controle do comércio mundial de alimentos, desde o
preço até os fornecedores. Em frente ao Walmart, foi montada uma mesa com
alimentos da agricultura camponesa, a fim de demonstrar que essa é a
alternativa para conter a grande alta no preço dos alimentos.

O ato questionava justamente a alta no preço dos alimentos e o controle das
empresas estrangeiras no território brasileiro.

Na parte da manhã, uma mobilização no município de Montanha, norte do ES,
marcou o protesto da Via Campesina em relação à expansão da cana-de-açúcar
no estado.

*Por que estamos mobilizados *
*Queremos produzir alimentos*
***Contra o agronegócio e em defesa da agricultura camponesa*

O atual modelo econômico, baseado no agronegócio e no capital financeiro,
quer transformar os alimentos, as sementes e todos os recursos naturais em
mercadoria para atender os interesses, o lucro e a ganância das grandes
empresas transnacionais.

Para isso, esses grupos econômicos se apropriam de terra, águas, minerais e
biodiversidade, privatizando o que é de todos. Além disso, desmatam as
florestas e deterioram os solos com a monocultura. Também aumentam a
exploração dos trabalhadores, precarizam, retiram e desrespeitam os direitos
trabalhistas, causam desemprego, pobreza e violência.

Dessa forma, o agronegócio promove a concentração da riqueza nas mãos dos
mais ricos, especialmente banqueiros e empresas transnacionais, enquanto
aumenta a desigualdade e a pobreza da população. É necessário e urgente
combater essa lógica opressora e destrutiva, que apresentamos nos seguintes
pontos:

*I – Denunciamos*

Denunciamos o atual modelo agrícola por que:

1. Favorece os interesses das empresas transnacionais, que compõem aliança
com os latifundiários para controlar a nossa agricultura e obter grandes
lucros na produção e comercializaçã o dos alimentos e na venda das sementes
e insumos agrícolas.

2. Prioriza o monocultivo em grandes extensões de terras, que afeta o meio
ambiente, deteriora os solos e exigem o uso grandes quantidades venenos.

3. Estimula a monocultura de eucalipto e pínus, que destroem a
biodiversidade, causam poluição ambiental, geram desemprego e promovem a
desagregação social das comunidades camponesas, indígenas e quilombolas.

4. Incentiva a produção de etanol para exportação, promovendo a ampliação do
plantio da monocultura da cana-de-açúcar e, conseqüentemente, causando a
elevação dos preços dos alimentos e a concentração da propriedade da terra
por empresas estrangeiras.

5. Difunde o uso das sementes transgênicas, que destroem a biodiversidade,
eliminam as nossas sementes nativas, podem causar danos à saúde dos
camponeses e consumidores de alimentos e transfere para as transnacionais o
controle político e econômico das sementes.

6. Promove o desmatamento dos nossos biomas, de modo especial da floresta
amazônica e do cerrado, e a destruição dos babaçuais, através da expansão da
pecuária, soja, eucalipto e cana, juntamente como a exportação de madeiras e
minérios.

*II- Somos contra*

As transnacionais, os latifundiários e um grupo de políticos, partidos e
parlamentares que defendem interesses econômicos e querem aprovar projetos
que vão piorar ainda mais esse quadro e, por isso:

1. Somos contra a lei de concessão das florestas públicas, que significa a
privatização da biodiversidade, e o projeto de lei nº 6.424/05, que reduz a
área da reserva legal da Amazônia de 80% para 50%, de autoria do senador
Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

2. Somos contra a Medida Provisória nº 422/08, que legaliza áreas de até
1500 hectares, invadidas por latifundiários na Amazônia, quando a
Constituição determina apenas até 50 hectares.

3. Somos contra a Medida Provisória que desobriga o registro em carteira até
três meses de trabalho. Condenamos a existência impunemente do trabalho
escravo, da exploração do trabalho infantil e da falta de garantia aos
direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores rurais.

4. Somos contra o Projeto de Emenda Constitucional nº 49/06, que propõe
diminuir a extensão da faixa de fronteiras para beneficiar empresas
transnacionais e grupos econômicos internacionais, de autoria do senador
Sérgio Zambiasi (PTB-RS) .

5. Somos contra o projeto de transposição do Rio São Francisco, que visa
apenas beneficiar o hidronegócio e a produção para exportação e não atende
as necessidades das populações que vivem na região do semi-árido nordestino.

6. Somos contra a privatização das águas, que passam a se monopolizadas por
empresas transnacionais como Nestlé, Coca-Cola e Suez.

7. Somos contra o atual modelo energético, baseado na construção de grandes
hidrelétricas – principalmente na Amazônia -, que entrega o controle da
energia às grandes corporações multinacionais e favorece as grandes empresas
que mais consomem energia.

*III – Defendemos
*
Estamos mobilizados e vamos lutar para mudar essa realidade. Por isso,
queremos:

1. Construir um novo modelo agrícola, baseado na agricultura camponesa, na
Reforma Agrária, na distribuição de renda e fixação das pessoas no meio
rural.

2. Combater a concentração da propriedade da terra e de recursos naturais,
fazendo uma ampla distribuição dos latifúndios, com a definição de um
tamanho máximo para a propriedade da terra.

3. Garantir que a agricultura nacional seja controlada pelo povo brasileiro,
assegurando a produção de alimentos, como uma questão de soberania popular e
nacional, incentivando as agroindústrias cooperativadas e o cultivo de
alimentos sadios.

4. Diversificar a produção agrícola, na forma de policulturas, respeitando o
meio ambiente e usando técnicas de produção da agroecologia.

5. Preservar o meio ambiente, a biodiversidade e todas as fontes de água,
com atenção especial ao Aqüífero Guarani, combatendo as causas do
aquecimento global.

6. Desmatamento zero na Amazônia e nos demais biomas brasileiros,
preservando a riquezas naturais e usando os recursos naturais de forma
adequada e sustentável, em favor do povo. Defendemos o direito coletivo da
exploração dos babaçuais.

7. Preservar, difundir, multiplicar e melhorar as sementes nativas, dos
diferentes biomas, para garantir o seu acesso a todos os agricultores.

8. Lutar pela aprovação imediata da lei que determina expropriação de todas
as propriedades com trabalho escravo e a instituição de pesadas multas aos
latifundiários que não cumprem as leis trabalhistas e previdenciárias.

9. Exigir a implementação da política proposta pela Agência Nacional de
Águas, que prevê obras e investimentos em cada município do semi-árido,
necessárias para resolver o problema de água da população da região.

10. Impedir que a água se transforme em mercadoria e garantir seu
gerenciamento como um bem público, acessível a toda a população.

11. Assegurar um novo modelo energético que garanta a soberania energética,
que priorize o desenvolvimento de todos, utilizando o uso racional da
energia hidráulica em pequenas usinas, com a produção de agrodiesel e álcool
pelos pequenos agricultores e suas cooperativas.

12. O governo federal deve autorizar o Incra (Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária) a retomar a regularização, com maior
celeridade, de todas as áreas pertencentes aos quilombolas.

13. Promover a demarcação imediata de todas as áreas indígenas e expulsão de
todos os fazendeiros invasores, em especial da Raposa Serra do Sol e das
áreas dos guarani no Mato Grosso do Sul.

O governo Lula precisa honrar os compromissos assumidos para a realização da
Reforma Agrária, cumprindo seu programa político, assinado em julho de 2002,
assentando imediatamente todas as famílias acampadas e construindo no mínimo
100 mil casas por ano no campo para evitar o êxodo rural. A nossa luta é
pela construção de uma sociedade justa, com igualdade e democracia, onde a
riqueza é repartida com todos e todas.

*VIA CAMPESINA**
ASSEMBLÉIA POPULAR*
—————————- Original Message —————————-
Subject: Via Campesina e urbanos realizam mobilização no Walmart e
Carrefour no ES
To:CMI-Brasil

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