boletim

o meio é a massagem

Caros artivistas do Brasil e do mundo

Voces estao informados de um dos resultados da Bienal Internacional
de Sao Paulo que se encerrou hoje ? Uma mulher autodenominada
pixadora estah presa, ameaçada de permanecer encarcerada por até tres anos. Caroline Sustos foi uma das integrantes do grupo de pixadores que invadiu a mostra. As paredes foram pixadas e repintadas e a mostra nao foi prejudicada.

Independente da discussao estética, se a pichaçao é ou nao arte, se
se justifica ou nao, a atuaçao deste grupo ao invadir o predio da
Bienal com um grupo de pixadores, foi também um ato expressivo, foi
inequivocamente uma manifestaçao cultural que poderia, deveria ser
discutida, avaliada, rejeitada e mesmo eventualmente contida. Que
tenha como resultado a detençao de uma mulher apresenta-se como
lamentavel e inaceitavel para as instituiçoes publicas de Sao Paulo.
Especialmente, a Bienal de Sao Paulo nao deve participar de um ato
repressivo que resulte na detençao de Caroline Sustos (como assina
seus autos de prisão) em suma, em mais uma pessoa encarcerada por
motivos muito discutiveis.

Pode-se sim considerar, ao contrario, que a proposta do curador Ivo
Mesquita em manter um andar da exposiçao vazio, para um exercicio de
reflexao sobre todas as Bienais do mundo, como afirmou, foi
devidamente respondida por este grupo de pixadores. Esta resposta
representa uma pulsao de uma cidade !

A historia tem demonstrado que inumeras vezes os criticos, curadores
e historiadores equivocam-se diante de manifestaçoes artisticas
inusitadas. A Bienal de Sao Paulo teria muito a ganhar se o andar
vazio tivesse sido, apos esta invasao, voluntariamente oferecido aos
pixadores e grafiteiros de Sao Paulo que alias projetaram sua arte
internacionalmente. O fato da pixaçao nao ser validada e legitimada
pode tambem representar uma ausencia de reflexao de criticos e
historiadores diante de um fenomeno contemporaneo que escapa de
nossos paradigmas habituais.

A abertura da Bienal teria sido um gesto inedito de reconhecimento
por uma instituiçao artistica, de uma forma expressiva que se
espalhou por toda a cidade e nao pode ser simplesmente ignorada. Uma discussao ampla e bem informada sobre o fenomeno cultural da pixaçao é relevante desde que na medida em que nao é validado enquanto expressao artistica pode ser considerado como vandalismo e justificar repressao.

Diante de todo o exposto, proponho que seja organizado um protesto,
seja presencial seja virtual, por todos os meios possiveis, convocando artivistas sejam brasileiros sejam internacionais no sentido de convocarmos nossas energias para que esta mulher seja liberada o quanto antes. Aqueles dentre nos que possam acessar jornalistas, advogados, promotores de justiça, politicos, professores, estudantes, todos que puderem de algum modo interferir favor reenviarem esta mensagem e solicitar solidariedade. Aqueles que puderem traduzir este protesto para outras linguas e enviar para grupos de discussao e instituiçoes estrangeiras favor engajarem-se o quanto antes.

Divulguem este protesto, disseminem esta idéia para que Caroline seja
libertada o quanto antes e para que as instituiçoes artisticas e
culturais brasileiras nao se tornem cumplices neste cerceamento da
liberdade e da expressao.

Artur Matuck
Artista plastico, escritor e professor da Universidade de Sao Paulo

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