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o meio é a massagem

A SAMBADA DE COCO E A VIOLENCIA POLICIAL

Tradicionalmente a 10 anos, todo primeiro sábado do mês o Ponto de
Cultura Coco de Umbigada realiza a Sambada de Coco do Guadalupe , na realidade é uma brincadeira popular, vem do Terreiro da Umbigada e é compartilhada com a comunidade do Guadalupe em Olinda, faz difusão e traz a Memória do Coco, um encontro de coquistas, é uma proposta de arte-educação que gera muita auto-estima com esta brincadeira e tem ação de continuidade. Trazemos esta brincadeira como herança ancestral dos avós e trazemos também o pertencimento com a Matriz Africana e com a Jurema Sagrada.

A Sambada também é o encontro das várias ações do Ponto de Cultura,
temos um Tele-centro em parceria com o SERPRO e o Ministério das
Comunicações através do Governo Eletrônico – Gesac.

Há 7 anos o Cine-Clube Macaíba com exibições e discussões focada na
Cultura Popular e na Matriz Africana, Temos a Ação Griô, que leva a
Escolas e a Universidades a valorização e Troca de Saberes com
Iyalorixás e Mestres da Cultura Popular do Coco.

A Sambada teve o reconhecimento e/ou premiação no Edital do Programa Cultura Viva Pontos de Cultura em 2004, Premio Primeira Capital Brasileira da Cultura CBC em Olinda 2006, Edital Premio Culturas
Populares de 2007, Premio Escola Viva 2007, Edital Ação Griô 2007 e
2008 e Iphan – Premio Rodrigo Melo de Franco, Categoria Salvaguarda do Patrimônio Imaterial Região Nordeste em 2006. Gera trabalho e renda pra comunidade e articula mais de 2 mil pessoas. Apesar desta
caminhada, ainda convive com muita intolerância, intolerância á nossa
religiosidade de matriz Africana.

Na última Sambada um policial de nome Joabe Porfírio, conhecido como
Abinho, chegou completamente embriagado e perguntou a mim pela polícia pois havia um casal namorando no muro de sua casa, falei pra ele que infelizmente a polícia passa, mas não fica, neste sábado da Sambada inclusive nem passou, pois se concentrou nas ruas dos casarões da Cidade Alta no projeto Arte em toda parte, pois o Coco já é na periferia do sítio histórico, e aí talvez não seja área de interesse
de se proteger os cidadãos desta cidade. então ele foi embora, em
seguida volta, dando porrada em quem encontra e atira várias vezes a
esmo, veio em minha direção me chamando de palavras de baixo escalão, falando que essa macumba tem que acabar, entrou na nossa tenda, quebrando seis microfones e agredindo todo mundo, inclusive a mim, me dando um murro na mão onde estava o microfone que eu falava. Nesta mesma hora fui tomada de indignação e peguei o único microfone que não havia quebrado e coloquei em alto e bom som que polícia é para quem precisa de polícia, e o que estávamos presenciando era um abuso de autoridade, e que uma pessoa com aquela reação não pode em momento algum portar uma arma, neste momento as pessoas me puxão pra dentro do ponto para que as balas não me acerte, pois ele estava decidido a me acertar e acabar de fato com a brincadeira do coco.

Houve muito tumulto e revolta por parte da comunidade que apóia e
precisa da Sambada para comercializar seus produtos e garantir
sustento no dia seguinte para suas famílias.

Na ocasião foi passado um abaixo assinado de inicio com 280
assinaturas entre moradores, ambulantes e mestres coquistas para que
as providencias fossem tomadas e o coco tenha continuidade, este
abaixo-assinado continua circulando na comunidade, chamamos a Polícia e quando chegou varias guarnições, o policial que momentos antes estava atirando a esmo, se evadiu do local para não ser diligenciado. Na realidade neste dez anos, nunca passamos por isso, até porque nesta nossa brincadeira agente se utiliza da comunicação para trazer este pertencimento com a cultura popular.

O que agente avalia é que de fato tem uma polícia que em tese exite
para proteger os cidadãos e uma outra que agride, mata e extermina as
pessoas porque tem em seu poder de uma arma policial aliado ao
SENTIMENTO DE IMPUNIDADE. Este policial assim como vários de outras
periferias tem um histórico de violência na comunidade e continua
portando uma arma.

Até quando nós que fazemos as brincadeira populares desse país vamos conviver com a intolerância da polícia, pois já não é mais proibido
por lei fazer louvação aos Orixás ou sambar o coco, ou será que fazer
coco agora é crime?

Tomamos as providencias cabíveis, fomos a delegacia de polícia do
varadouro em Olinda e registramos a queixa, fomos também na Ouvidoria de polícia e no Ministério público, afinal nossa comunidade foi
agredida.

Publicamente agradeço a solidariedade de Amparo Araújo, Ouvidora da
ouvidoria de polícia, de Luciana Azevedo e Martha Figueiredo da
Fundarpe, Marcia Souto da Sepacctur, Dra Bernadete do GT Racismo do
Ministério Público, das companheiras da Secretaria Estadual da Mulher
e do Centro de referencia da Mulher Marcia Dangremon, pelo apoio moral a violencia de genero que sofrí, afinal diferente do que se presencia, não se tem estatística de mulheres polícias embriagadas, fora de serviço atirando nas pessoas.

Queremos convidar a todos para na próxima Sambada, dia 03, primeiro
sábado de janeiro, nós fazermos um grande movimento pela não
violência, vamos reverter a situação, afinal agente acredita e também
somos militante da cultura de paz, e sabemos que a violência só gera
violência.

Vamos lançar a Campanha “Digo SIM a Sambada de Coco, diga NÃO a Violência”.

um grande abraço e muito axé

Beth de Oxum


Beth de Oxum
Coordenadora do Ponto de Cultura Coco de Umbigada
e Ponto de Cultura Escola de Ensinamento de Mãe Preta
(81) 3439-6475 – 9189-3850
http://sambadadecoco.blogspot.co

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