boletim

o meio é a massagem

Arquivo para janeiro, 2009

Manifesto dos Invisíveis

Motorista, o que você faria se dissessem que você só pode dirigir em algumas vias especiais, porque seu carro não possui airbags? E que, onde elas não existissem, você não poderia transitar?

Para nós, cidadãos que utilizam a bicicleta como meio de transporte, é esse o sentimento ao ouvir que “só será seguro pedalar em São Paulo quando houver ciclovias”, ou que “a bicicleta atrapalha o trânsito”. Precisamos pedalar agora. E já pedalamos! Nós e mais 300 mil pessoas, diariamente. Será que deveríamos esperar até 2020, ano em que Eduardo Jorge (secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo) estima que teremos 1.000 quilômetros de ciclovias? Se a cidade tem mais de 17 mil quilômetros de vias, pelo menos 94% delas continuarão sem ciclovia. Como fazer quando precisarmos passar por alguma dessas vias? Carregar a bicicleta nas costas até a próxima ciclovia? Empurrá-la pela calçada?

Ciclovia é só uma das possibilidades de infra-estrutura existentes
para o uso da bicicleta. Nosso sistema viário, assim como a cidade,
foi pensado para os carros particulares e, quando não ignora, coloca
em segundo plano os ônibus, pedestres e ciclistas. Não precisamos de
ciclovias para pedalar, assim como carros e caminhões não precisam
ser separados. O ciclista tem o direito legal de pedalar por
praticamente todas as vias, e ainda tem a preferência garantida pelo
Código de Trânsito Brasileiro sobre todos os veículos motorizados. A
evolução do ciclismo como transporte é marca de cidadania na Europa
e de funcionalidade na China. Já temos, mesmo na América do Sul,
grandes exemplos de soluções criativas: Bogotá e Curitiba.

Não clamamos por ciclovias, clamamos por respeito. Às leis de
trânsito colocam em primeiro plano o respeito à vida. As ruas são
públicas e devem ser compartilhadas entre todos os veículos, como
manda a lei e reza o bom senso. Porém, muitas pessoas não se
arriscam a pedalar por medo da atitude violenta de alguns
motoristas. Estes motoristas felizmente são minoria, mas uma minoria
que assusta e agride.

A recente iniciativa do Metrô de emprestar bicicletas e oferecer
bicicletários é importante. Atende a uma carência que é relegada
pelo poder público: a necessidade de espaço seguro para estacionar
as bikes. Em vez de ciclovias, a instalação de bicicletários deveria
vir acompanhada de uma campanha de educação no trânsito e um
trabalho de sinalização de vias, para informar aos motoristas que
ciclistas podem e devem circular nas ruas da nossa cidade. Nos
cursos de habilitação não há sequer um parágrafo sobre proteger o
ciclista, sobre o veículo maior sempre zelar pelo menor.
Eventualmente cita-se a legislação a ser decorada, sem explicá-la
adequadamente. E a sinalização, quando existe, proíbe a bicicleta;
nunca comunica os motoristas sobre o compartilhamento da via,
regulamenta seu uso ou indica caminhos alternativos para o ciclista.
A ausência de sinalização deseduca os motoristas porque não legitima
a presença da bicicleta nas vias públicas.

A insistência em afirmar que as ruas serão seguras para as
bicicletas somente quando houver milhares de quilômetros de
ciclovias parece a desculpa usada por muitos motoristas para não
deixar o carro em casa. “Só mudarei meus hábitos quando tiver metrô
na porta de casa”, enquanto continuam a congestionar e poluir o
espaço público, esperando que outros resolvam seus problemas, em vez
de tomar a iniciativa para construir uma solução.

Não podemos e não vamos esperar. Precisamos usar nossas bicicletas
já, dentro da lei e com segurança. Vamos desde já contribuir para
melhorar a qualidade de vida da nossa cidade. Vamos liberar espaços
no trânsito e não poluir o ar. Vamos fazer bem para a saúde (de
todos) e compartilhar, com os que ainda não experimentaram, o prazer
de pedalar.

Preferimos crer que podemos fazer nossa cidade mais humana, do que
acreditar que a solução dos nossos problemas é alimentar a
segregação com ciclovias. Existem alternativas mais rápidas e
soluções que serão benéficas a todos, se pudermos nos unir para
construirmos juntos uma cidade mais humana.

A rua é de todos. A cidade também.

Nós, ciclistas, que também somos o trânsito:

Alberto Pellegrini
Alexandre Afonso
Alexandre Catão
Alexandre Loschiavo (Sampabiketour)
Alex Gomes ( U-Biker )
Ana Paula Cross Neumann (Aninha)
André Pasqualini (CicloBR)
Antonio Lacerda Miotto (Pedalante)
Aylons Hazzud
Ayrton Sena Santos do Nascimento
Bruno Canesi Morino
Bruno Gola
Carolina Spillari
Célia Choairy de Moraes
Chantal Bispo (Eu vou voando)
Daniel Ingo Haase (FAHRRAD)
Daniel Albuquerque
Eduardo Marques Grigoletto (CicloAtivando)
Fabrício Zuccherato (pedal-driven)
Flávio “Xavero” Coelho
Felipe Aragonez (Falanstérios)
Felipe Martins Pereira Ribeiro
Fernando Guimarães Norte
Gustavo Fonseca Meyer
Hélio Wicher Neto
João Guilherme Lacerda
José Alberto F. Monteiro
João Paulo Pedrosa (Malfadado – PT)
José Paulo Guedes (EcoUrbana)
Juliana Mateus
Laércio Luiz Muniz
Leandro Cascino Repolho
Leandro Valverdes
Lucien Constantino
Luis Sorrilha (BIGSP)
Luiz Humberto Sanches Farias
Marcelo Império Grillo
Márcia Regina de Andrade Prado
Márcio Campos
Mariana Cavalcante (Gira-me)
Mário Canna Pires
Matias Mignon Mickenhagen
Mathias Fingermann
Otávio Remedio
Paula Cinquetti
Polly Rosa
Ricardo Shiota Yasuda
Rodrigo Sampaio Primo
Ronaldo Toshio
Silvio Tambara
Thiago Benicchio (Apocalipse Motorizado)
Vado Gonçalves (cicloativismo)
Vitor Leal Pinheiro (Quintal)
Willian Cruz (Vá de Bike!)

Trabalhadores da Grécia divulgam manifesto anti-capitalista

Trabalhadores da Grécia, que se auto-proclamam “insurrectos”, ocupam desde o dia 17 de dezembro a sede da Confederação Geral dos Trabalhadores, em Atena, principal central sindical do país. No prédio, que passou a sediar Assembléias Gerais, abertas a participação de qualquer pessoa interessada, foi erguida uma bandeira, com as seguintes inscrições:

“1) Dos acidentes do trabalho até os assassinatos cometidos de sangue frio, o estado do capital mata; 2) Nenhuma perseguição; 3) Imediata liberdade sem penalização aos detidos; 4) Greve geral.

Universidades também estão ocupadas por estudantes, sendo igualmente transformada em palco das Assembléias Gerais. Os insurrectos encaminharam um apelo a mídias alternativas de todo o mundo, no sentido de que rompam com o silêncio imposto pela mídia burguesa, diante da turbulência que toma conta da Grécia, desde 6 de dezembro. A morte de um adolescente por policiais disparou um processo de luta e resistência, em todo o país que, em muitos
momentos, lembra os fatos ocorridos em Maio de 1968.

Com a “Declaração da Assembléia Geral dos Trabalhadores” – escrevem os insurrectos “queremos essencialmente participar da ruptura com o cordão sanitário das mídias feito de mentiras acerca desta luta e que as apresenta como simples motins de jovens vândalos anarquistas que aterrorizariam a população. Ao contrário disso, este texto mostra claramente a força do sentimento de solidariedade operária que anima este movimento e estabelece o laço entre as diferentes gerações de proletários”. Eis a declaração:

Ou decidimos nossa história ou deixamos que decidam por nós!

“Nós, trabalhadores manuais, empregados, desempregados, trabalhadores temporários, locais ou imigrantes, não somos telespectadores passivos. Desde o assassinato de Alexandros Grigorpolos, naquela na noite de sábado, temos participado das manifestações, e enfrentamentos com a polícia, das ocupações
no centro e nos bairros. Freqüentemente temos deixado o trabalho e nossas obrigações diárias para ocupar as ruas com os estudantes secundaristas, os universitários e os demais proletários em luta”.

“Tomamos a decisão de ocupar a sede da Confederação Geral dos Trabalhadores na Grécia, para convertê-la em um espaço de livre expressão e um ponto de encontro para os trabalhadores. Para desmentir a falácia disseminada pelos meios de comunicação, que colocam os trabalhadores à margem dos enfrentamentos e que caracterizam a revolta atual como assunto de uns 500 “encapuzados”, “hooligans” ou qualquer outra estória; para desmentir a apresentação pelas redes de televisão dos trabalhadores como vítimas do enfrentamento, enquanto a crise capitalista na Grécia e em todo mundo dá lugar a incontáveis demissões que as mídias e seus dirigentes tratam como um “fenômeno natural”. Para desmascarar o papel da burocracia sindical, na hora de sabotar a insurreição, e não só isso”.

“A GSEE e todo o aparato sindical que o tem apoiado, durante décadas e mais décadas, sabotam as lutas, negociam nossa força de trabalho por migalhas e perpetuam o sistema de exploração e escravidão assalariada. A postura da GSEE da quarta-feira-passada é bastante reveladora: a GSEE cancelou a manifestação dos trabalhadores que estava programada, mudando precipitadamente de plano para uma breve concentração na Praça de Syntagma, assegurando-se deste modo que as pessoas se dispersassem rapidamente, por medo de que fossem infectadas pelo vírus da insurreição”.

“Para abrir este espaço pela primeira vez – como uma continuidade da
abertura social gerada pela insurreição em si -, um espaço construído com as nossas contribuições e da qual temos sido excluídos. Durante todos esses anos, temos confiado o nosso destino em salvadores de todas as formas e terminamos perdendo nossa dignidade. Como trabalhadores, devemos começar a assumir nossas responsabilidade e deixar de confiar as nossas esperanças a bons líderes ou representantes “aptos”. Devemos fazer-nos com nossa própria
voz, encontrarmos e reunirmos, falar, decidir e atuar contra o ataque
generalizado que suportamos. A criação de resistências coletivas “de base” é o único caminho. Para propagar a idéia da auto-organização e a solidariedade nos postos de trabalho, os comitês de luta e as práticas coletivas desde as bases, abolindo os burocratas sindicalistas”..

“Todos esses anos temos suportado a miséria, a complacência, a violência no trabalho. Chegamos a acostumar contar os lesionados e nossos mortos – nos maus explicados “acidentes de trabalho”. Nós acabamos acostumados a ver, por outro lado, a morte dos imigrantes – nossos companheiros de classe. Estamos cansados de viver com a ansiedade de ter quer assegurar um salário, pagar os impostos e conseguir uma aposentadoria que agora parece um sonho distante”.

“Da mesma forma, que lutamos para não abandonar nossas vidas em mãos dos chefes e dos representantes sindicais, da mesma maneira não abandonaremos os rebeldes presos nas mãos do estado e o sistema jurídico. Solidariedade com o movimento dos estudantes na Grécia!”

Os insurrectos assumem discurso e postura anarquista. Relacionam as recentes mobilizações na Grécia às rebeliões que aconteceram na França, em 2006, que assumiram o caráter de revoltas populares, nas periferias, desencadeadas por protestos contra o Contrato do Primeiro Emprego (CPE), considerado prejudicial aos jovens. As manifestações obrigaram o governo francês, na época, a recuar em algumas reformas.

Os últimos meses de 2008 também foram agitados. Na Itália, estudantes e trabalhadores foram às ruas em outubro e novembro, movidos pela palavra de ordem “Não queremos pagar pela crise” – o estopim foi o “Decreto Gelmini”, que cortava verbas da educação. Na Alemanha, em 12 de novembro, cerca de 120 mil estudantes saíram em passeata, bradando “O capitalismo é a crise”.
Chegaram a cercar o parlamento de Hannover. Na Espanha, em 13 de novembro, mais de 200 mil estudantes se manifestaram em cerca de 70 cidades, contra as novas diretivas européias (o chamado processo de Bologna) que afeta o ensino superior e universitário, generaliza a privatização das faculdades e amplia a obrigação de estágios nas empresas.

A radicalização na Grécia

Na Grécia, as manifestações não param. Em 16 de dezembro, os estudantes ocuparam por alguns minutos os estúdios da rede governamental de televisão NET e exibiram diante da tela uma faixa que dizia: “Deixe de ver a televisão! Todo mundo às ruas!”, e lançavam o seguinte chamamento: “O Estado assassina. Vosso silêncio o arma! Ocupação de todos os edifícios públicos!”. Estas e outras ações classificadas pelo governo como “tentativas de derrotar
a democracia”. Desde 17 de dezembro, o edifício que aloja a sede central do principal sindicato do país foi ocupado.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias, com informações da Corrente Comunista Internacional

“Por que nos odeiam tanto?!” Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê

Assim, mais uma vez, Israel abriu as portas do inferno sobre os
palestinenses. 40 refugiados civis mortos numa escola da ONU, mais três noutra. Nada mau, para uma noite de trabalho do exército que acredita na “pureza das armas”. Não pode ser surpresa para ninguém.
Esquecemos os 17.500 mortos – quase todos civis, a maioria mulheres e
crianças – de quando Israel invadiu o Líbano, em 1982? E os 1.700 civis
palestinos mortos no massacre de Sabra-Chatila? E o massacre, em 1996, em Qana, de 106 refugiados libaneses civis, mais da metade dos quais crianças, numa base da ONU? E o massacre dos refugiados de Marwahin, que receberam ordens de Israel para sair de suas casas, em 2006, e foram assassinados na rua pela tripulação de um helicóptero israelense? E os 1.000 mortos no mesmo bombardeio de 2006, na mesma invasão do Líbano, praticamente todos civis?
O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e
primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelenses algum dia tenham-se preocupado com poupar civis. “Israel toma todo o cuidado possível para evitar atingir civis”, disse mais um embaixador de Israel, apenas horas antes do massacre de Gaza.
Todos os presidentes e primeiros-ministros que repetiram a mesma mentira, como pretexto para não impor o cessar-fogo, têm as mãos sujas do sangue da carnificina de ontem. Se George Bush tivesse tido coragem para exigir imediato cessar-fogo 48 horas antes, todos aqueles 40 civis, velhos, mulheres e crianças, estariam vivos.
O que aconteceu não foi apenas vergonhoso. O que aconteceu foi uma desgraça. “Atrocidade” é pouco, para descrever o que aconteceu. Falaríamos de “atrocidade” se o que Israel fez aos palestinenses tivesse sido feito pelo Hamás. Israel fez muito pior. Temos de falar de “crime de guerra”, de matança, de assassinato em massa.
Depois de cobrir tantos assassinatos em massa, pelos exércitos do Oriente Médio – por sírios, iraquianos, iranianos e israelenses – seria de supor que eu já estivesse calejado, que reagisse com cinismo. Mas Israel diz que está lutando em nosso nome, contra “o terror internacional”. Israel diz que está lutando em Gaza por nós, pelos ideais ocidentais, pela nossa segurança, pelos nossos padrões ocidentais.
Então também somos criminosos, cúmplices da selvageria que desabou sobre Gaza.
Reportei as desculpas que o exército de Israel tem oferecido ao mundo, já várias vezes, depois de cada chacina. Dado que provavelmente serão
requentadas nas próximas horas, adianto algumas delas: que os palestinenses mataram refugiados palestinenses; que os palestinenses desenterram cadáveres para pô-los nas ruínas e serem fotografados; que a culpa é dos palestinenses, por terem apoiado um grupo terrorista; ou porque os palestinenses usam refugiados inocentes como escudos humanos.
O massacre de Sabra e Chatila foi cometido pela Falange Libanesa aliada à direita israelense; os soldados israelenses assistiram a tudo por 48 horas, sem nada fazer para deter o morticínio; são conclusões de uma comissão de inquérito de Israel. Quando o exército de Israel foi responsabilizado, o governo de Menachem Begin acusou o mundo de preconceito contra Israel.
Depois que o exército de Israel atacou com mísseis a base da ONU em Qana, em 1996, os israelenses disseram que a base servia de esconderijo para o Hizbóllah. Mentira.
Os mais de 1.000 mortos de 2006 – uma guerra deflagrada porque o Hizbóllah capturou dois soldados israelenses na fronteira – não foram crimes do Hizbóllah; foram crimes de Israel.
Israel insinuou que os corpos das crianças assassinadas num segundo massacre em Qana teriam sido desenterrados e expostos para fotografias. Mentira.
Sobre o massacre de Marwahin, nenhuma explicação. As pessoas receberam ordens, de um grupo de soldados israelenses, para evacuar as casas.
Obedeceram. Em seguida, foram assassinadas por matadores israelenses. Os refugiados reuniram os filhos e puseram-se à volta dos caminhões nos quais viajavam, para que os pilotos dos helicópteros vissem quem eram, que estavam desarmados. O helicóptero varreu-os a tiros, de curta distância. Houve dois sobreviventes, que se salvaram porque fingiram estar mortos. Israel não tentou nenhuma explicação.
12 anos depois, outro helicóptero israelense atacou uma ambulância que conduzia civis de uma vila próxima – outra vez, soldados israelenses
ordenaram que saíssem da ambulância – e assassinaram três crianças e duas mulheres. Israel alegou que a ambulância conduzia um ferido do Hizbóllah.
Mentira.
Cobri, como jornalista, todas essas atrocidades, investiguei-as uma a uma, entrevistei sobreviventes. Muitos jornalistas sabem o que eu sei. Nosso destino foi, é claro, o mais grave dos estigmas: fomos acusados de anti-semitismo.
Por tudo isso, escrevo aqui, sem medo de errar: agora recomeçarão as mais escandalosas mentiras. Primeiro, virá a mentira do “culpem o Hamás” – como se o Hamás já não fosse culpado dos próprios crimes! Depois, talvez requentem a mentira dos cadáveres desenterrados para fotografias. E com certeza haverá a mentira do “homem do Hamás na escola da ONU”. E com absoluta certeza virá também a mentira do anti-semitismo. Os líderes ocidentais cacarejarão, lembrando ao mundo que o Hamás rompeu o cessar-fogo.
É mentira.
O cessar-fogo foi rompido por Israel, primeiro dia 4/11; quando bombardeou e matou seis palestinenses em Gaza e, depois, outra vez, dia 17/11, quando outra vez bombardeou e matou mais quatro palestinenses.
Sim, os israelenses merecem segurança. 20 israelenses mortos nos arredores de Gaza é número escandaloso. Mas 600 palestinenses mortos em uma semana, além dos milhares assassinados desde 1948 – quando a chacina de Deir Yassin ajudou a mandar para o espaço os habitantes autóctones dessa parte do mundo que viria a chamar-se Israel – é outro assunto e é outra escala.
Dessa vez, temos de pensar não nos banhos de sangue normais no Oriente Médio. Dessa vez é preciso pensar em massacres na escala das guerras dos Bálcãs, dos anos 90. Ah, sim.
Quando os árabes enlouquecerem de fúria e virmos crescer seu ódio
incendiário, cego, contra o Ocidente, sempre poderemos dizer que “não é conosco”. Sempre haverá quem pergunte “Por que nos odeiam tanto?” Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê.

fonte: http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/fisk/robert-fisk-
why-do-they-hate-the-west-so-much-we-will-ask-1230046.html