boletim

o meio é a massagem

Arquivo para cabestro

OCUPAR, TRANSMITIR, RESISTIR! SEMPRE!*

“O direito é a forma pela qual se expressa o poder do Estado. Mas, a
legitimidade do direito não advém somente de sua mera aceitação fática. Pelo
contrário, o direito só é digno de reconhecimento, ou seja, legítimo se
amparado pela soberania popular realizada nos direitos de comunicação e
participação que garantam a autonomia pública dos cidadãos”. (Habermas).

Desde sua origem em Belém do Pará, as Rádios Comunitárias sempre
desempenharam uma função relevante para desenvolver a inclusão social e a
cidadania plena, assegurando a formação de opinião pública, livre, laica e
pluralista – como deveria ser em qualquer regime democrático. No entanto,
apesar do elenco de direitos constitucionalmente
garantidos[1].

*Para nós*, a “*Desobediência Civil*” continua a ser uma via necessária para
garantia do direito a livre expressão da atividade intelectual, científica e
de comunicação – tal como reza a própria Constituição Federal de 1988, em
seu Artigo 5º, Inciso IX.

No entanto, as normas jurídicas fundamentais de uma
constituição, também são a tradução do (des)equilíbrio político entre
classes sociais conflitantes. Portanto, através das leis podemos reconhecer
os interesses da classe que domina e a forma pela qual exerce o seu domínio.
A *lei 9.612/98* (que deveria regulamentar o serviço de radiodifusão
comunitária) ao invés torna-se uma solução, demonstra-se na prática um torpe
dispositivo de controle social, exercido pelo estado através de uma
legislação restritiva de direitos e de uma malha burocrática que dificulta o
acesso à outorga.

E em nome da manutenção deste poder dominante, graves violações
aos direitos fundamentais do ser humano acontecem “naturalmente”, como
num estado de exceção:

Na manhã de ontem, 30 de janeiro, técnicos em amordaçamento da
Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL, acompanhados por uma equipe
de agentes do aparelho repressivo do Estado Nacional – a Polícia Federal,
invadiram brutalmente a sede da Associação Cultural de Radiodifusão
Comunitária Resistência FM (doravante reconhecida como RESISTÊNCIA FM – O
Grito Rebelde da Periferia) na intenção de tomar o local de assalto e de lá
subtrair todos os seus equipamentos!

Neste momento, *EU* – já na condição de *refém* da operação, fui
declarado detido sob a acusação do crime de operar emissora de rádio sem a
‘devida’ licença. E, enquanto era inquirido pelos policiais, técnicos da
ANATEL operavam com visível satisfação o
*roubo[2] dos equipamentos e danificavam cabos e conexões dos demais componentes
eletrônicos.

*Rádio Comunitária não é crime!* Crime é a violação do direito humano
fundamental à comunicação, exercido livremente através das Rádios
Comunitárias. Crime de alto potencial lesivo é praticado pelo Estado
(detentor do monopólio da violência) ao descumprir acordos internacionais
sobre direitos humanos. Crime é o lobby institucionalizado no Ministério das
Comunicações para obtenção da outorga, onde fica claro que a existência de
um “padrinho político” é fator determinante para a aprovação do pedido de
licença e para garantia de velocidade de tramitação. Atuação criminosa
(principalmente a prevaricação) fica por parte da ANATEL.
Pois, segundo o próprio Relatório da Ouvidoria da Anatel, assinado por
Aristóteles dos Santos, em dezembro de 2007, fica comprovado que a agência
descumpre sistematicamente suas atribuições estabelecidas no Art. 45 da Lei
Geral de Telecomunicações – a citar: A Anatel ainda não cumpriu ou não fez cumprir
integralmente os propósitos que justificaram a sua criação, que seriam o de
incentivar a constituição de mercados competitivos, viabilizar a
universalização da telefonia fixa e assegurar efetividade ao setor. Não
instituiu equilíbrio isonômico do órgão regulador diante dos interesses do
Capital, do Estado e do Cidadão/ Consumidor. Não adotou as medidas concretas
visando à desagregação de redes – básica para a competição. Omite-se diante
da inexistente de competição na telefonia local, onde é flagrante a
distorção do modelo tarifário da telefonia fixa, repercutindo em tarifas
excessivamente altas, particularmente na assinatura básica. Mesmo não sendo
uma obrigação explícita da Anatel, não foram adotadas as medidas efetivas,
nem desenvolvidos os estudos consistentes para subsidiar as ações visando à
universalização de acesso à internet banda larga com preços e velocidades
compatíveis. Ou seja, a ANATEL serve unicamente para defesa do poder
econômico do mercado de telecomunicações.

A Operação de assalto à mão armada da Polícia Federal (que embora
tenha dissolvido o Grupo de Repressão às Rádios Clandestinas – GRAC,
continua a reprimir criminosamente os movimentos sociais) e da ANATEL, na
Resistência FM, foi completamente ilegal. Pois, não houve qualquer
oportunidade de ampla e prévia defesa, e nem sequer havia um “Mandado de
Busca e Apreensão” para ser apresentado no momento. Em fim, houve por parte
da ANATEL e PF invasão de propriedade, roubo e, finalmente, seqüestro!

Sim, pois de lá fui seqüestrado e levado até a Superintendência
da Polícia Federal encaminhar os procedimentos necessários para lavrar o TCO
– Termo Circunstancial de Ocorrência, que me incrimina no Art. 70 do Código
Brasileiro de Telecomunicações de 1962, da Lei 4.117/72 – com redação
alterada pelo Art. 3º do Decreto Lei nº236/67 — cuja pena máxima pode chegar
a dois anos de reclusão, além de apreensão do equipamento. Desta forma, logo
penso: Se “*o termômetro que mede a democracia de um país é o mesmo que mede
a participação dos cidadãos na comunicação*” como dizia o sociólogo Herbert
de Souza, estaríamos vivemos num estado de exceção não declarado? Com a
palavra, o Presidente da República!

E tudo isso pra quê? Para manter o poder político e econômico
dos Coronéis das telecomunicações, definindo a cada operação a anatomia do
crime de “lesa pátria”. Ora, trata-se de um fenômeno tipicamente nacional
chamado, no qual quem controla as concessões, promove a si mesmo e seus
aliados, ao passo que adultera a expressão dos seus adversários políticos
como fator importante na construção da opinião pública, tão disputada na
esfera estadual e federal. No “coronelismo eletrônico”, exercido por
concessionários-proprietários que controlam a radiodifusão comercial, a
moeda de troca continua sendo o voto, como no velho coronelismo. Só que não
mais com base na posse da terra, mas no controle da informação, ou seja, na
capacidade de influir na formação da opinião pública. Neste caso, outorga e
a renovação das concessões do serviço é a contra partida da União.
Em quase 10 anos da Lei 9.612, apenas uma entidade (a rádio comercial de
baixa potência – Belém FM) recebeu licença. Enquanto, por outro lado, já
perdemos a conta de quantas vezes recebemos a truculenta visita da caravana
da mordaça. Apesar de socialmente aceitas por sua função social legítima,
nenhuma rádio de caráter verdadeiro comunitário recebeu a devida assistência
do Estado, permanecendo assim aos olhos contraditórios do mesmo Estado como
emissoras *ilegais* (ou como preferirem: não-legalizadas).
Neste caso, torna-se absolutamente *legítima* a posição dos movimentos pela
democratização da comunicação ao exigirem a *imediata* *revisão da Lei 9.612
* – com a participação das entidades civis, do contrário que ela seja “Letra
Morta” até que sejam determinadas todas as garantias ao pleno exercício da
rádio-atividade. A Lei 9.612/98 restringe liberdades individuais e limita o
poder de ação da sociedade. Pois, impõe severas limitações técnicas como: a
redução da potência das Rádios Comunitárias a *25 watts* não permitindo que
sua abrangência ultrapasse o limite máximo de *1Km*. A antena (sistema
irradiante) não pode ultrapassar o limite de *30m*. Concede apenas *1 Canal*
*único e específico *para *todas* as rádios comunitárias com *licença* para
operar apenas *3 anos*. Portanto, até que sejam garantidas as mudanças na
lei para adequá-la a Declaração Universal dos Direitos Humanos e ao Pacto de
São José da Costa Rica, nenhuma Rádio Comunitária deveria ser obrigada a
disputar as Concessões do Serviço da Radiodifusão pelo Ministério das
Comunicações. Por outro lado, *ocupar freqüências no espectro FM*,
continuará a ser a tática mais adequada para democratizar a comunicação.
Além do mais, o “campo-eletromagnético” é uma propriedade pública e é um
dever de cada agente de comunicação popular *denunciar* *a* *outorga
*(Concessão de Serviço) como um dispositivo usado pelo Poder Público para ser um
instrumento de barganha política para seus apadrinhados a título de troca de
“favores”, ao mesmo tempo, que funciona como um sistema de controle de
emissões pelo poder do Estado, enquanto, a população fica excluída do
patrimônio público e refém dos proprietários-concessionários.
Segundo entendimento de uma decisão da Turma Recursal dos Juizados Especiais
Criminais, em São Paulo. Os juízes decidiram que a operação da Rádio
Comunitária Dimensão e da Rádio Heliópolis, “embora possa ser considerado
ilícito administrativo, *não configura crime*”. O Ministério Público Federal
(MPF) acusava pela Rádio Dimensão, Daniel Almeida dos Santos Melo, e pela
Rádio Heliópolis, João Miranda, de infringir o Código de Telecomunicação,
que considera crime a operação sem autorização do Estado. No entanto,
os *juízes entenderam que as rádios não se enquadram na lei**.* Isso porque,
em 1995, a *Emenda Constitucional nº8 separou a radiodifusão da telefonia*.
Penso que isto pode ser um caminho.

Fazendo uma variação do mesmo tema… Já não podemos dizer a serviço de quem
está o Presidente Lulla – é tão generoso com os grandes concessionários,
mas, ao tratar da comunicação popular torna-se tão obscuro. Em quase 3 anos
de governo nunca se ouviu de sua boca a palavra “rádio” complementada pela
palavra “comunitária”. Sua política para área é vacilante e ao mesmo tempo
em que finge incentivar (em projetos como Pontos de Cultura etc) reprime com
vigor e com mais eficiência do que nos tempos de censura a imprensa. A
perseguição as Rádios Comunitárias é a continuidade de uma linha política
histórica e “a omissão do Governo Lula diante do que está acontecendo
às rádios comunitárias significa uma opção que a história não esquecerá”*!*

*Desburocratização e transparência na tramitação dos processos!*
*Participação da sociedade organizada na avaliação dos processos pelo
Executivo!*
*Reavaliação das outorgas concedidas às emissoras relacionadas a partidos e
políticos*
*Implantação do Manual de “Procedimentos para Análise de Processos de
Radiodifusão Comunitária” com a introdução de critérios, objetivos e prazos.
*Distribuição eqüitativa de freqüência dentro do dial!*
*Apoio ao projeto de Lei que regulamenta a radiodifusão a nível municipal!*
*Apoio para realização de cursos e eventos, para promover e estimular a
mídia comunitária!*
*Pelo fim imediato da repressão às emissoras comunitárias!*
*Revisão dos Processos arquivados pelo Ministério das Comunicações*
*Anistia aos punidos por operarem “rádio sem licença” e extinção dos
inquéritos e processos!*
*Devolução imediata de todos os equipamentos apreendidos!*

*Angelo Madson,*
*Belém do Grão Pará, 31 de janeiro de 2008.*

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[1] A Liberdade de Expressão e Comunicação é garantida pela Declaração
Universal dos Direitos Humanos de 1948, aprovada pela ONU (Art.19º); pela Declaração
Americana dos Direitos e Deveres do Homem, aprovada em Bogotá em 1948 (art.
4º); pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos de 1966; pela
Convenção Americana sobre Direitos Humanos – Pacto de San José da Costa
Rica, adotado em 1969… Acordos internacionais dos quais o Brasil é
signatário.
[2] Pelas leis *9.472/97 (art. 173) e 9.612/98 (art. 21)*: “não contemplam a sanção
de *apreensão ou lacramento de equipamentos de rádio não autorizada*. Para a aplicação
das penalidades ali elencadas, assegurou-se previamente; a ampla defesa,
garantida pela Cláusula milenar do Devido Processo Legal”. Ou seja, nenhuma
sanção pode ser aplicada sem a oportunidade de ampla e prévia defesa! Ou
seja, se não houve flagrante, tampouco um devido “Mandado de Busca e
Apreensão” – fomos vítimas de um roubo federal!

Militante da Via Campesina é executado por milícia no Paraná

Durante um ataque de uma milícia ao acampamento do campo de experimento da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, às 13h30 de hoje, dia 21, o militante da Via Campesina, Valmir Mota, foi executado à queima roupa com dois tiros no peito. Outros seis trabalhadores ficaram gravemente feridos. A milícia contava com cerca de 40 pistoleiros.

Os feridos Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin, foram encaminhados para os hospitais da região. Izabel está em coma e sua vida corre risco. Há suspeitas de que um dos pistoleiros tenha sido morto.

A área da Syngenta foi reocupada na manhã de hoje por cerca 150 trabalhadores da Via Campesina. O campo de experimento da empresa havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o cultivo ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho.

A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo. Após dezesseis meses de resistência, no dia 18 de julho deste ano, as 70 famílias desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga Benário, também em Santa Tereza do Oeste.

Na reocupação os trabalhadores rurais soltaram fogos de artifício e os seguranças, que estavam na fazenda abandonaram o local. Por volta da 13h30 um micro ônibus parou em frente ao portão de entrada. Uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados desceu atirando em direção às pessoas que se encontravam no local.

Arrombaram o portão, executaram o militante Valmir Mota com dois tiros, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que se encontra hospitalizada e gravemente ferida.

A Syngenta contratava serviços de segurança que atuavam de forma irregular na região, articulados com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtores Rurais (MPR). Uma das diretoras da empresa de segurança NF, foi presa e o proprietário fugiu durante uma operação da Polícia Federal no mês de outubro, quando foram apreendidas munições e armas ilegais.

Há indícios de que a empresa funciona como fachada e que na hora das operações são contratados mais seguranças de forma ilegal, formando uma milícia armada que atua praticando despejos violentos e ataques a acampamentos.

Na última quinta-feira, dia 18, a denúncia da atuação de milícias armadas ligadas a SRO e ao MPR e Syngenta na região Oeste foi reforçada durante uma audiência pública, com a coordenação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em Curitiba.

A Via Campesina cobra da Justiça a apuração do ataque contra os trabalhadores do acampamento, que juntamente com os trabalhadores do assentamento Olga Benário, continuam lutando para transformar a área num Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e para a Reforma Agrária.

Os moradores do assentamento Olga Benário, que faz divisa com a área de experimento da Syngenta, também são contrários aos experimentos transgênicos no local. Isso porque o a produção transgênica vai contaminar a produção de sementes crioulas do assentamento, e trazer prejuízos para a alimentação, a saúde e o meio ambiente.

http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=4370

De forma ilegal, grupos controlam até cinco emissoras

Grupos Bandeirantes e CBS usam de artimanhas jurídicas para burlar os princípios da legislação; 50% das permissões de ‘educativas’ não cumprem sua função social.As irregularidades das rádios FMs em São Paulo não se restringem às validades das outorgas e às localidades das antenas. A direção e a propriedade das empresas também desrespeitam os princípios constantes da legislação.

O Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4.117/62) prevê que a mesma pessoa não poderá participar da administração ou da gerência de mais de uma concessionária, permissionária ou autorizada do mesmo tipo de serviço de radiodifusão, na mesma localidade. O decreto 52.795/63 estabelece que a mesma entidade ou as pessoas que integram o seu quadro societário e diretivo não podem ser contempladas com mais de uma outorga do mesmo tipo de serviço de radiodifusão na mesma localidade. Em São Paulo, embora formalmente essa exigência seja cumprida, na prática o princípio é flagrantemente desrespeitado. Dois grandes grupos orgulham-se de ter cinco emissoras em FM transmitindo para a capital, chegando a vender publicidade casada para as diversas emissoras. O Grupo Bandeirantes controla a Band FM, a Bandeirantes (que retransmite a programação da AM), a BandNews, a Nativa e a Sul América Trânsito. Já o grupo CBS (Comunicação Brasil Sat), dos irmãos Paulo e José Masci de Abreu, controla a Kiss, a Mundial, a Tupi, a Scalla e a rádio Terra. Embora não constem no site do grupo, a Apollo e a pentecostal Deus é Amor também tem Paulo Masci de Abreu entre os sócios e como dirigente. Além das cinco rádios declaradas e das duas em que constam como cotistas, os Abreu também controlam, na prática, a Rádio Atual. Nos sistemas da Anatel, estranhamente, não aparecem os nomes dos sócios da emissora que detém a permissão para São Paulo, a Rádio Difusora Atual Ltda. No entanto, há uma outra emissora registrada no sistema da Anatel, a Sistema Atual de Radiodifusão Ltda., sediada no mesmo endereço, mas que não tem outorgas em seu nome. Essa empresa tem como sócios José Masci de Abreu e Maria Cristina Hellmeister de Abreu. A artimanha para burlar a legislação se dá de três maneiras: a primeira é o fato que, embora todas operem para São Paulo, a maioria dessas rádios tem outorgas para municípios diferentes (confira a tabela de rádios FM em São Paulo). A segunda estratégia, no caso de rádios que têm outorgas para o mesmo município, é ter familiares como diretores ou sócios das emissoras. No caso dos Abreu, as permissões se dividem entre os diversos membros da família. A terceira estratégia é a utilização de contratos de gaveta, situação em que os detentores da outorga passam, na prática, o controle da emissora para grandes grupos empresariais. Educativas, ma non troppo Outro flagrante caso de desrespeito aos princípios da legislação é a utilização da alcunha “educativa”. A cidade de São Paulo possui quatro emissoras com outorgas educativas, todas com as permissões vencidas. A Rádio USP (93,7 MHz) está com a outorga vencida desde 1997, as rádios Gospel FM (90,1 MHz) e a Brasil 2000 (107,3 MHz) estão irregulares desde 1998 e a Rádio Cultura FM (103,3 MHz) desde 2004. Muito embora o conceito de outorga educativa estabelecido pela legislação brasileira afirme que a programação admitida para estas emissoras terá exclusivamente finalidades educativo-culturais, sua definição é vaga, dando margem a diferentes interpretações. Entretanto, mesmo que ampla e imprecisa, tal definição afasta, de imediato, a possibilidade de duas destas quatro emissoras serem classificadas como rádios educativas. É o caso da emissora Gospel FM, ligada à Igreja evangélica Renascer, de propriedade da “Bispa” Sônia Rodrigues e do “Apóstolo” Estevam Hernandes, com programação baseada em cultos, pregações e programas com a transparente intenção de arrecadar fundos para a Igreja Renascer. Também flagrante é o caso da Brasil 2000. Além de possuir uma programação semelhante às tradicionais rádios FMs comerciais da cidade, a emissora tem por prática veicular anúncios publicitários. Segundo o departamento comercial da emissora, somente são vetados anúncios de cigarros e bebidas alcoólicas. Embora a legislação que trata das educativas seja focada nas emissoras de TV, o Ministério das Comunicações determina que tais rádios não têm caráter comercial, sendo vedada a veiculação remunerada de anúncios e outras práticas que configurem comercialização de intervalos, podendo somente veicular anúncios que se enquadrem no conceito de apoio cultural. Da redação do Observatório do Direito à Comunicação
16.08.2007